Nossos demônios e nossos anjos

Padrão

anjo_e_demonio_1_jpg_554x318_q85_crop

O meu gênero favorito é o terror. Seja na literatura ou no cinema, adoro o suspense, o susto, a sensação de que algo errado pode acontecer a qualquer momento.

Stephen King me deixou algumas noites sem dormir logo cedo, com O Iluminado. Medo de um hotel? Sim! E também medo de um carro, de um cachorro, de um palhaço, de uma televisão, de assassinos, crianças. Qualquer coisa pode ser horrível. E um dos recorrentes são os demônios, as dominações e exorcismos.

E aí surge um autor talentoso, que consegue nos dar sustos incríveis e fala sobre nossos demônios e medos mais profundos. Este é Andrew Pyper, e o seu O Demonologista.

O livro conta a história de um professor, David, ateu e especialista no livro “Paraíso Perdido” de Milton, e seus demônios. Ele é procurado por uma estranha pessoa, que contrata seus serviços por uma bela quantia, para analisar uma aparição demoníaca. No início ele não acredita na história, porém sua curiosidade o leva até onde foi contratado – apenas para encarar de frente uma possessão demoníaca e perder sua única filha – Tess.

o demonologista

Entro no Mustang e vou para Wichita. A noite cai sobre a interestadual tão abruptamente como se puxassem o fio da tomada. Penso em ligar o rádio, mas todas as vezes em que faço isso ouço algo – uma canção, uma propaganda de automóvel, uma previsão do tempo – que me faz lembrar de Tess.

O verdadeiro inferno é dirigir à noite em busca de uma criança desaparecida.

A partir daí, David faz uma busca desesperada por Tess, navegando entre o que conhece como professor e sua negação à existência de demônios, e as aparições que enfrenta por todo o caminho. Ele conta com a ajuda de O’Brien, professora grande amiga e confidente, mas que está carregando uma grave doença terminal, e dois objetos preciosíssimos, o livro Paraíso Perdido, e o diário de sua filha, que revelam não só o seu próximo destino, mas também que os demônios sempre estiveram muito mais presentes em sua vida do que imaginava.

Câncer também é um tipo de possessão. E, como um demônio, antes de reclamar a pessoa, a devora aos poucos, apaga o rosto que ela sempre apresentou ao mundo, para mostrar a coisa indesejada que está por dentro.

Quer levar bons sustos e se preocupar em ter pesadelos? Conte com O Demonologista!

Minha avaliação:
Facilidade de leitura: Alto
Tamanho: Pequeno
Aplicabilidade: Baixo

Livros que estão na minha antibiblioteca, mas me dão medo:
Caixa de Pássaros, de Josh Malerman
Escuridão Total Sem Estrelas, de Stephen King

Gosta de terror? Manda seu comentário pelo blog ou pela página da antibiblioteca no FB!

Elas no comando!

Padrão

frida-verde

Tenho lido nos últimos meses diversos livros com mulheres no comando. Elas como personagem principal, trazendo fortes temas. Sensíveis? Sim! Mas não do jeito que você está pensando.

Iniciei minha pesquisa nesse mundo com Garota Exemplar, de Gillian Flynn. Li este e outros dois livros dela, parti então para a série Millenium, de Stieg Larsson, encarei Tess Gerritsen e seu O Fio do Bisturi. Mas quero falar de um best-seller dos últimos meses, A Garota no Trem, de Paula Hawkins.

Livro fenômeno, de estreia da autora, é o estilo thriller que todos gostam. Fala sobre Rachel, uma londrina que perdeu seu marido, e praticamente tudo aquilo que tinha na vida, por um sério problema de alcoolismo.

A narrativa, muito bem contada, se passa em primeira pessoa. Não apenas Rachel a conduz, mas também outros personagens, como Anna e Megan, não necessariamente amigas da personagem principal, mas que suas vidas estão totalmente ligadas. Para o bem e para o mal.

Rachel pega todos os dias o trem de sua casa até Londres, todas as manhãs, e volta todas as tardes. Do trem ela narra os fatos do romance, observando a casa de “Jess e Jason” um casal que ela vê todos os dias e cria uma vida imaginária para eles. Mas então, algo terrível acontece, e ela se vê obrigada a procurar a polícia e relatar o que viu. Ou o que pensa que viu.

a-garota-no-tremÉ impossível resistir aos cuidados de um estranho. Alguém que olha para você, mas que não tem conhece, que diz que está tudo bem, independente do que você fez: você sofreu, você machucou, você merece perdão.

Paula nos joga em uma narrativa sobre o papel da mulher na vida, como esposa, mãe, trabalhadora, investigadora. As personagens trazem a todo momento seus conflitos, como os homens às veem, como se sentem quando traídas, quando abandonadas, atraídas ou curiosas. E sobre estes conflitos questionam por que a sociedade machista não consegue evoluir e equilibrar os papéis de homens e mulheres.

As mulheres continuam sendo valorizadas de verdade por duas coisas – sua aparência e seu papel como mãe.

Minha avaliação:
Facilidade de leitura: Alto
Tamanho: Médio
Aplicabilidade: Alto

Mais mulheres que estão na minha antibiblioteca:
Lugares Escuros, de Gillian Flynn

The Nest, de Cynthia D’Aprix Sweeney

Voltamos ao blog! Deixa seu comentário no FB ou aqui!