Não abra os olhos

Padrão

blindness

Eu realmente adoro terror e suspense. É meu gênero favorito desde criança, quando assistia aos filmes da Hora do Pesadelo e Sexta-feira 13, passando pelas minhas redações de escola com temas de fantasia de terror. Quando fui fisgado pelos livros, rapidamente caí em Stephen King (que até hoje é o meu autor favorito) e daí em muitos outros livros e autores.

O que sempre me atraiu foi a expectativa de tomar um susto a qualquer momento. Tomei muitos sustos nas páginas que li, confesso. Porém aí eu abro as páginas de Caixa de Pássaros, de Josh Malerman e… não consigo continuar. De medo.

Demorei mais (bem mais) do que deveria pra terminar esse livro, de medo. Não é exagero. Tive pesadelos, não quis continuar. Até que tomei coragem e em um dia matei a segunda metade, suando e me emocionando. Uau, que trabalho fez o sr. Malermen. E olha que é o livro de estreia dele!

Caixa de Pássaros é verdadeiramente um livro único. Conta a história de Malorie, que está em uma casa com duas crianças pequenas, com todas as janelas tapadas e portas fechadas. E não pode olhar para fora. Porém ela precisa sair de casa, mesmo que de olhos fechados, para se salvar de… o que?

Voltando algum tempo, o autor nos mostra o que aconteceu. O mundo estava normal, como conhecemos hoje, quando alguns relatos de suicídios começam a ocorrer. Aparentemente as pessoas vêem algo e enlouquecem e se matam. A partir daí, todos começam a se trancar e a não olhar para fora de casa. E a história começa a se desenrolar. O livro avança retrocede, contando a história de Malorie tendo que sair de uma casa com seus olhos vendados e com as duas crianças, e também aos fatos que se desenrolaram até essa fase, onde e com quem ela viveu, o que aconteceu, etc.

Caixa-de-Passaros (1)

 Num mundo onde não podemos abrir os olhos, uma venda não é tudo que temos para nos defender?

Como pode esperar que seus filhos sonhem em chegar às estrelas se não podem erguer a cabeça e olhar para elas?

 

O livro é extremamente psicológico. Nos faz pensar no que está fazendo isso com as pessoas, e nos deixa aflitos pois os personagens não podem abrir seus olhos, ou seja, não sabemos o que está acontecendo de verdade. E essa tensão afeta a todos, pois cada acontecimento leva os personagens a considerar opções mais absurdas, a se auto conhecer, a testar seus limites.

O homem é a criatura que ele teme.

E o leitor é envolvido nessa névoa, nessa cegueira. Tudo o que mais queremos é ver o que os personagens não querem ver. Mas e se ficarmos loucos também? Será que entenderemos o terror? Será que resistiremos à insanidade? Para onde esse rio nos levará, se não podemos enxergar?

É melhor enfrentar a loucura com um plano do que ficar parado e deixar que ela nos alcance aos poucos.

Minha avaliação:
Facilidade de leitura: Alto
Tamanho: Pequeno
Aplicabilidade: Alto

O livro está disponível em portugês e outras línguas, digital ou físico.

Depois do medo que passei, coloquei livros mais light na minha antibiblioteca 🙂

O Pintassilgo, de Donna Tartt

Armada, de Ernest Cline

Ficou com medo? Leu e gostou? Deixa um comentário aqui ou na nossa página do FB!

Um comentário sobre “Não abra os olhos

Deixe um comentário