Chegou a hora! Você foi escolhido pela empresa dos sonhos, depois de um processo super concorrido. Perdeu noites de sono, passou por várias entrevistas e dinâmicas de grupo, conheceu um monte de gente nova, passou no processo, esperou, esperou e o dia chegou! Primeiro dia de estágio! E agora?
O início de uma nova fase da vida é sempre muito difícil. E normalmente o estágio é nosso primeiro emprego, o início do contato com o mercado de trabalho, a passagem do mundo universitário para o mundo corporativo. E sim, muita coisa muda! Minha proposta aqui é ajudar esses jovens nessa ponte, e nada melhor do que buscarmos ajuda na nossa antiblioteca! Quais livros que não lemos ainda que podem nos ajudar?
Nos últimos meses fiz 12 posts em que comentei sobre 12 livros, análogos a 12 meses de estágio. Para facilitar a consulta, dividi a série em 3 partes. Aqui vai a primeira! Espero que gostem!
Mês 1 – Cheguei no escritório, e agora?

A pergunta que mais ouço dos novos estagiários: por onde começo? Você chegou na empresa, teve uma recepção super legal do seu novo chefe, passou por uma imersão com os altos executivos das diferentes áreas, conheceu seus colegas, a missão e objetivos da empresa, e aí chega na sua mesa, sem a menor ideia de onde começar.
NÃO SE DESESPERE!
A mudança é sim radical. O mundo empresarial é totalmente diferente do mundo universitário. Intrigas, política, ética, puxa-saco, dinheiro, carreira. Situações que não lidamos comumente e que se apresentam diariamente no trabalho, as quais devemos aprender mas também, por que não, estar preparados. E todos passam por isso, sempre. Então, por que não aprender com os mais experientes?
Alexandra Levit viveu esse dilema. Se empolgou, quebrou a cara, ficou sem rumo, sem motivação, mas entendeu que existe um jogo corporativo, uma forma de criar relacionamentos, colocar nosso melhor na empresa, liderar, ser respeitado, ser feliz. E nos conta tudo isso em They Don’t Teach Corporate in College
.

Em seu livro, Alexandra monta um guia para o jovem que está entrando no mercado de trabalho. Da preparação para a procura da melhor vaga, ela navega pelas habilidades necessárias no escritório, comportamentos esperados, como lidar com o chefe, gestão de tempo, avaliação, perfil social, atitude e mudança. Tudo de uma forma simples e direta, com dicas práticas e exemplos, números e citações de outros jovens que também passaram por tudo isso.
Many young employees can’t wait to make a difference at work. Twentysomethings, in particular, expect to get meaningful assignments followed by quick promotions. Although some managers appreciate initiative and independence, others might find you “presumptuous.” You could even “incite jealousy among your new colleagues.” Start small and make incremental changes. If you can’t sell an idea, let it go. Don’t be afraid to make mistakes or fail. Companies care most about ideas that boost the bottom line.
Minha avaliação:
Facilidade de leitura: Alto
Tamanho: Pequeno
Aplicabilidade: Alto
Infelizmente não está disponível em português, porém tem versões físicas, digitais e em áudio, e é bem fácil de achar no Brasil.
E claro que com essa leitura minha antibiblioteca cresceu! Adicionados à pilha:

The Adventures of Johnny Bunko: The Last Career Guide You’ll Ever Need, de Daniel Pink

The Start-up of You: Adapt to the Future, Invest in Yourself, and Transform Your Career, de Reid Hoffman
Mês 2 – Meu Primeiro Salário

Nesse segundo episódio, quero encarar rapidamente um tema que, a longo prazo, pode ser o diferencial para nossa vida: o que fazer com o dinheiro!
Normalmente o estágio é nossa primeira fonte de renda, e quando começamos a sentir a independência financeira chegando. Nada mais de pedir dinheiro emprestado, depender de uma contribuição “paitrocinada” (vulga mesada) ou de pequenas rendas com bicos. Agora temos um salário, algo que nos pagam pelo esforço que colocamos no dia-a-dia.
Mas antes de começarmos a gastar, temos que nos precaver e nos planejar. E o primeiro problema já está aí: o nosso sistema educacional, bem como nosso aprendizado de vida, não contempla educação financeira. Não temos uma aula sobre como criar um orçamento, como investir, as diferenças dos mercados, e tantos outros assuntos que serão fundamentais para nosso sucesso financeiro ao longo de nossa vida. E aqui eu desafio cada um de vocês: tornem a educação financeira prioridade número 1!
Estou falando de estudar, ler, entender e desenvolver a inteligência financeira. Segundo Robert Kyiosaki, precisamos ter as habilidades financeiras corretas, para tomar as decisões assertivas e fazer nosso patrimônio crescer.
Kyiosaki é bastante famoso pela série de livros Pai Rico, Pai Pobre, e hoje vou tratar de um deles, Pai Rico, Desenvolva Sua Inteligência Financeira

Ele cria uma metodologia de 5 medições sobre nossa inteligência financeira, e nos mostra para que servem e como progredir em cada uma delas: Fazer mais dinheiro, Proteger seu dinheiro, Controlar o orçamento, Alavancar seu dinheiro e Melhorar suas informações financeiras. E inicia com uma lição básica: temos que aprender sobre finanças resolvendo nossos problemas financeiros!
Inteligência não é memorizar velhas respostas e evitar erros – um comportamento que nossas escolas definem como inteligente. A verdadeira inteligência envolve aprender a resolver problemas e qualificar-se para resolver problemas ainda maiores. A verdadeira inteligência é sobre a alegria de aprender, e não sobre o medo de fracassar.
Sobre proteção e orçamento, ele nos dá lições preciosas em termos de impostos, taxas e quem quer nosso dinheiro. Também nos lembra que um orçamento bem feito não foca necessariamente em gastar menos do que recebemos, ou reduzir custos, mas sim em criar novas fontes de rendas, e investir em nós mesmos, algo que geralmente fica relegado à ultima prioridade. A pergunta que ele faz: por que você deve pagar a todos os outros antes de a si mesmo?
Muitas pessoas não pagam a si mesmas primeiro porque ninguém grita com elas. Ninguém contrata um cobrador para bater à porta a fim de cobrar de si próprio. Em outras palavras, não colocamos pressão sobre nós mesmos se não pagarmos a nós mesmos.
Ele também trata sobre um tema necessário para a riqueza, a alavancagem: como fazer mais dinheiro contando com dinheiro dos outros. E nos trás a chave para a redução de riscos: controle sobre as variáveis. Ter o controle é saber com quem está se relacionando (parceiros, sócios), ter um bom financiamento e um bom gerenciamento.
Finalmente, ele trás a informação para a mesa. E nos tempos atuais, temos muita informação, mas pouca inteligência aplicada, gerando uma quantidade de ruído enorme! Para tomarmos as decisões financeiras corretas temos que nos basear em informações, dados e inteligência, e não em opiniões próprias ou de terceiros.
O livro é direto ao ponto, tem exemplos práticos e a linguagem é bem simples. Ele usa muitos exemplos pessoais, o que não me agrada tanto, porém vai do gosto de cada um 🙂
Minha avaliação:
Facilidade de leitura: Alto
Tamanho: Pequeno
Aplicabilidade: Médio
Está disponível em português, versões físicas, digitais e em áudio, tranquilo de achar.
E falando em dinheiro, já investi na minha antibiblioteca:

Get Rich Carefully, de Jim Cramer

The Buy Side, de Turney Duff
Mês 3 – Meu chefe só pede pra ontem!

Dois, três meses na empresa… ou apenas algumas semanas, e seu chefe já não pede mais nada para amanhã. Tarefas se acumulam, os e-mails já não param de chegar (afinal você pediu a todo mundo que conversou para te copiar em todos os assuntos!), convites para diversas reuniões onde parece que todos falam em outra língua – a de siglas – e seu tempo está indo embora.
Academia? Happy Hour? Faculdade? Futebol? Baladinha? Tudo pra depois. Preciso entregar essa proposta caso contrário não vamos fechar aquele contrato!
É nessa hora que aprendemos que existe um recurso muito precioso, que não se pode comprar, multiplicar nem recuperar: tempo! Você sabe o que significa o número 1.440? É a quantidade de minutos que temos em um dia! Pouco não?
É assim que Kevin Kruse abre o seu livro, e dá o primeiro de seus 15 segredos para o gerenciamento de tempo! Como fazer para utilizarmos esses 1.440 minutos da melhor forma possível dentro de um dia. E o desafio é gigante. Muitas vezes implica em dizer não, em ser organizado e comprometido.
15 Secrets Successful People Know About Time Management: The Productivity Habits of 7 Billionaires, 13 Olympic Athletes, 29 Straight-A Students, and 239 Entrepreneurs (English Edition)
é quase um manual. O autor propõe 15 padrões, com práticas, entrevistas com pessoas altamente produtivas entre empreendedores, atletas, estudantes e bilionários, e ainda facilita nossa vida com um “atalho” que compreende apenas parte dos 15 padrões, para os iniciantes.

Esta é uma lição que eu sempre tento ensinar aos meu filhos: todo sim é um não a alguma outra coisa. Não é que eles devem dizer não a tudo; mas que devem pensar sobre o assunto. (this is a lesson I even try to teach my kids: every yes is a no to something else. It’s not that they should say no to everything; it’s that they should think it through)
Um dos pontos que achei mais interessante foi a dos dias temáticos. Bloquear sua agenda para atividades específicas, por exemplo às segundas reuniões de time e revisão, às terças trabalhar com produtos, quartas marketing, etc.
E o autor navega em diversos níveis de dicas. De acordar cedo (tema de um post dessa série em futuro próximo!) a dizer não, colocar tudo no calendário, tocar as coisas e fazer apenas uma vez, ter energia se alimentando bem, bebendo bastante água e fazendo pausas. Tudo com grandes exemplos, comentários de entrevistados e testes realizados na vida real.
Pessoas super bem sucedidas não torram horas tentando fechar tarefas na sua lista. Ao invés disso, eles pensam sobre as prioridades, agendam tempo para cada uma, e então param quando é o bastante. (Super successful people don’t just burn hour after hour trying to cross more items off their task list. Instead, they think through their priorities, schedule time for each, and then enough is enough.
No final ainda ganhamos um apêndice com o testemunho de diversas pessoas nas áreas de empreendedorismo, grandes alunos, bilionários e atletas olímpicos. Tudo em um tom casual e bem direto. Esse livro se tornou uma das minhas consultas periódicas, está sempre à mão para me relembrar dos pontos e me disciplinar. E vem me ajudando muito!
A coisa mais importante sobre tempo e produtividade não é uma tática ou um truque – é uma mudança de comportamento. (the single most important thing when it comes to time and productivity isn’t a tactic or a trick – it’s a shift in mindset)
Minha avaliação:
Facilidade de leitura: Alto
Tamanho: Pequeno
Aplicabilidade: Alto
É um livro bem novo, e está disponível apenas em inglês, versões físicas e digitais.
Quer salvar mais tempo? Olha o que coloquei na minha antibiblioteca:

Hackeando Tudo: 90 Hábitos Para Mudar o Rumo de Uma Geração [Ebook]
de Raiam Santos.

O princípio 80/20: Os segredos para conseguir mais com menos nos negócios e na vida
de Richard Koch
Mês 4 – Minha primeira apresentação!

Apresentação. Falar em público. Discursar. Quem já não suou frio nessa hora? Ou não se emocionou assistindo alguém no TED, ou o saudoso Steve Jobs?
Geralmente as empresas preservam seus estagiários das apresentações, deixam ficar mais maduros, mas nem sempre é assim. Eu mesmo gosto de já colocar no fogo logo de cara, pois não é a qualidade que avalio no início, mas sim a persistência de fazer algo novo e fora da zona conforto 🙂
Nesse post vou falar sobre um belíssimo livro sobre Pitch de negócios, talvez um pouco avançado, mas o livro é simplesmente maravilhoso. Mas antes disso, eu vou quebrar um pouco o protocolo e passar algumas dicas de como eu faço apresentações, e também das melhores práticas que vejo em grandes apresentadores.
Tenha tudo sob controle!
O mais importante para fazer uma boa apresentação é ter tudo sob controle. Nada de chegar com um PPT sem saber o conteúdo. Sem saber o público então, nem se fala.
Saiba exatamente do que vai falar. Todos os pontos, qual a mensagem principal e as secundárias, o que você quer que as pessoas saiam da sala sabendo. Imagina se você baseia todo o seu conteúdo em um PPT, e chega na hora da apresentação e acaba a energia? Vai ficar mudo? Vai adiar?
Treine com antecedência, use alguém de confiança para fazer ensaios e correções. Se possível até grave a apresentação e assista para ver os erros, aonde você pode melhorar, detalhes de postura, etc.
Entenda para quem você está entregando a mensagem. O que as pessoas querem ouvir? Quais são os motivadores para estar na sua apresentação? Quem são os principais recebedores e os principais influenciadores? Quais as características deles?
Visite o local da apresentação antes: vai precisar de material de apoio (flipcharts, Datashow, internet)? É uma sala ou um auditório? Como é a iluminação e a acústica?
Use truques!
Organize a sua apresentação no esquema “Hook – Body – Wrap”, ou seja, tenha um bom gancho pra começar, que traga a audiência para você. Só então mova com o conteúdo e, no final, finalize sintetizando e remetendo àquele gancho do início. Não tem erro.
Não use siglas, palavras em outra língua, jargões da sua empresa, termos técnicos. Você sabe de tudo isso, mas seu público não. Simplifique seu linguajar.
Tire as muletas da frente. Não segure nada nas mãos, nem as coloque no bolso. Saia da “posição de cavalo” onde você se apoia em uma perna ou em outra. Finque os dois pés no chão, joelhos relaxados, costas eretas.
Respire fundo!
Respire fundo antes de entrar na apresentação, para te colocar em um estudo mais tranquilo e mais conectado consigo mesmo. Se seguiu todos os passos acima, a probabilidade de “dar branco” é bem baixa. Fale do que você sabe, de coração, e todos vão te ouvir!
E o livro?
Ah sim, já ia falar do livro! Oren Klaff é um negociador profissional, trabalha para levantar fundos para clientes. Ele tem vasta experiência em apresentações, e resolveu juntar em seu livro uma metodologia criada por ele mesmo durante anos. Ele basicamente trabalha com frames entre as pessoas, e a cada interação que você tiver existe a necessidade de entender em qual frame o público está, em qual você quer se colocar, entender este conflito e resolvê-lo, a seu favor.
A Frame is the instrument you use to package your power, authority, strength, information and status.

Mas não é só no Frame que fica Pitch Anything: An Innovative Method for Presenting, Persuading, and Winning the Deal
. Ele constrói um método, mas também dá diversos exemplos de colisões de frames, dá dicas preciosas para a hora da apresentação e de como trabalhar com tensão e emoções, como colocar uma proposta à mesa e como negociar.
As businesspeople, we come together to find solutions to problems – not to admire problems that have already been solved for us. If you don’t have a series of challenges for the target to over-come – with pushes and pulls and tension loops – then you don’t have a pitch narrative.
O livro é definitivamente um bem para qualquer pessoal que trabalha com apresentações e negociações. Vale ser lido e revisto ao longo do tempo, e praticar cada dica.
Minha avaliação:
Facilidade de leitura: Médio
Tamanho: Médio
Aplicabilidade: Alto
Infelizmente não está disponível em português, porém tem versões físicas, digitais e em áudio, sendo fácil de achar.
O tema é maravilhoso e eu adoro dicas sobre apresentação e storytelling. Já estão na pilha da antibiblioteca:

What Great Salespeople Do: The Science of Selling Through Emotional Connection and the Power of Story
de Michael Bosworth

Storytelling at Work: How Moments of Truth on the Job Reveal the Real Business of Life (English Edition)
de Mitch Ditkoff
Amanhã tem a parte 2 do post! Até lá!